quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E o silêncio acomodou-se


O telefone havia tocado.
Eu atendi.
Não reconheci a voz do outro lado da linha.
Mas parecia que ela sabia exatamente quem eu era.
Perguntei com que aquela misteriosa voz queria falar.
-Com você. Ela respondeu.
-Quem está falando ?

Não respondeu.

Eu tive medo.
E parecia que sabia o quanto eu estava com medo.
Aquela voz então,sabendo o que estava se passando disse que não precisava ter medo.
Não tinha necessidade.

E o silêncio acomodou-se.
Consegui ouvir com mais falicidade meus batimentos cardíacos.
Estava acelerado.
Minha respiração era ofegante.
E finalmente o silêncio foi quebrado.
Aquela voz se identificou.

Era a voz da minha consciência.
Que eu não ouvia há muito.
Eu tinha me esquecido até.


-Queria saber como está. Tanto tempo que fui largada por você.
Estou bem,obrigada. Já não conseguia me ajudar nas questões precisas.
-As questões em que não cabia a mim ajudar. Eram questões do coração.
De qualquer forma, eu tive de aprender a conviver com a tua ausência.
-Não imaginava que conseguiria ficar tanto tempo longe de mim.
Pois é,até eu me surpreendi.

Ela estava certa.
Talvez eu não tenha sido justa.
Largado minha consciência por questões de dúvidas.
Quando eu não conseguia me ajudar,ela também não conseguia.
Como agora,minha mente vive em extremas dúvidas.
E o coração ás vezes se parte.
Às vezes sorri.

É tudo questão de fases que todos nós passamos.
Mas a minha mente, eu perdi o controle dela.
A ponto de desfazer da minha própria consciência.

O meu coração continua a bater.
Os pensamentos nunca se encontrarão no singular.
As dúvidas são sempre constantes.
E as certezas, as vezes eu as tenho nas mãos.
Até a incerteza aparecer e arrancá-las de mim.

( Ju Sayão )

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